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29 abril 2009

O observatório VLT (Very Large Telescope) do ESO revelou que uma ténue explosão de raios-gama (GRB) detectada a 23 de Abril de 2009 é a assinatura de uma explosão que ocorreu no que parece ser o mais distante objecto até hoje detectado – o seu desvio para o vermelho (redshift) é de 8.2, isto quer dizer que este GRB ocorreu há mais de 13 mil milhões de anos, apenas 600 milhões de anos após o Big Bang.

Os GRB, cuja duração pode variar de 1 segundo a alguns minutos, são as mais luminosas e energéticas explosões do Universo. A maioria ocorre quando estrelas de grande massa esgotam o seu hidrogénio, o que leva ao colapso dos seus núcleos dando origem a buracos negros ou a estrelas de neutrões e jactos de matéria.

O GRB 090423 foi detectado pelo satélite Swift  (NASA/STFC/ASI) durante a manhã do dia 23 de Abril. A explosão de 10 segundos ocorreu na direcção da constelação de Leão, e a sua evolução foi acompanhada por vários telescópios terrestres, entre eles os telescópios de 2.2 metros do ESO/MPG (La Silla, Chile), e VLT (Paranal, Chile).

As observações levadas a cabo pelo VLT na banda do infravermelho, efectuadas 17 horas após a detecção do GRB 090423, permitiram aos astrónomos determinar o desvio para o vermelho sofrido pela radiação e a partir daí calcular a distância a que o objecto se encontra: 13 mil milhões de anos-luz – este é o mais distante objecto até hoje detectado!

Porque a luz tem uma velocidade finita – cerca de 300 000 de quilómetros por segundo – quando observamos o Universo mais longínquo estamos a observar o passado distante. Este GRB aconteceu quando o Universo tinha apenas cerca de 600 milhões de anos, menos de 5% da sua idade actual. Pensa-se que as primeiras estrelas se terão formado quando o Universo tinha entre 200 a 400 milhões de anos. “Esta descoberta vem comprovar a importância das explosões de raios-gama, pois através delas podemos conhecer melhor o Universo mais distante”, afirma Nial Tanvir (Universidade de Leicester, Reino Unido), líder da equipa responsável pelas observações do VLT. “Podemos estar confiantes de que no futuro serão detectadas mais explosões , o que abrirá uma janela para o estudo das primeiras estrelas no limiar da Idade das Trevas do Universo”.

O GRB que anteriormente detinha o record de “o mais distante” foi detectado o ano passado, também pelo satélite Swift, e baptizado como GRB 080913. Este GRB tinha um desvio para o vermelho de 6.7 e terá tido origem na explosão de uma estrela 200 milhões de anos depois do GRB 090423.

Informações adicionais
http://www.eso.org/public/outreach/press-rel/pr-2009/pr-17-09.html
Observatório em La Silla
Observatório no Paranal
Satélite Swift

Glossário
Desvio para o Vermelho - Quando uma fonte de radiação se move relativamente ao observador produz-se um efeito Doppler, que consiste na alteração do comprimento de onda da radiação detectada relativamente ao da radiação emitida. Devido à expansão do Universo, todas as galáxias e objectos distantes se afastam de qualquer observador; como consequência, e por uma espécie de efeito Doppler, a sua radiação sofre um avermelhamento. Em particular também as riscas de absorção ou de emissão existentes no seu espectro sofrem o mesmo desvio para o vermelho, no sentido em que o seu comprimento de onda aumenta relativamente ao original. A medição deste desvio para o vermelho em galáxias permite-nos determinar a sua velocidade de afastamento devido há expansão do Universo e, a partir daí, utilizando a Lei de Hubble, estimar a sua distância.


Impressão artística de uma explosão de raios-gama. (©ESO/A. Roquette)