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Metodologias interdisciplinares na alfabetização científica dos cidadãos: de uma exigência curricular a um imperativo profissional? A realidade Portuguesa?

I. A. P. M. Costa, M. J. P. F. G. Monteiro

Abstract.
Considerando que uma "Educação para o sucesso" implica um Ensino das Ciências diferente do actual e que tenha como propósito a alfabetização científica dos alunos e a sua formação integral, preocupa-nos o "como alfabetizar cientificamente os cidadãos".

Do nosso ponto de vista, muitos dos obstáculos à alfabetização científica residem no que, num sentido lato, chamaremos concepções alternativas face à ciência e face à própria Educação em Ciência, partilhada, ainda que em índoles e alcances distintos, por alunos e por professores.

Pensamos que uma das formas de auxiliar na sua superação passa pela implementação de planificações curriculares verdadeiramente interdisciplinares, alicerçadas na história da ciência, numa visão externalista de ciência e potenciadas pelo movimento Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente (C/T/S/A).

Mas como o conseguir, nos tempos lectivos (reduzidos) atribuídos a cada área curricular e, simultaneamente, cumprir as orientações curriculares? Esta visão dual, partilhada por muitos docentes, não se coloca, sequer, do ponto de vista estrutural, na Educação em Ciência em Portugal. Sendo assim, em que radica o trabalho autónomo, de cada área curricular disciplinar que ainda hoje se verifica, na maioria das escolas do Ensino
Básino e Secundário de Portugal? Sendo a ciência "construída" em equipas multidisciplinares, qual o sentido de práticas pedagógico-didáticas que em nenhum momento confrontem os alunos com processos interdisciplinares de ensino/aprendizagem?

É pois objectivo desta comunicação apresentar, reflexivamente, o hiato espacial, que, do nosso ponto de vista, persiste entre a prática
interdisciplinar programada e aquela que é efectivamente empreendida pelos docentes do 3º ciclo e Secundário em Portugal. Partindo, assim, desse status quo, apresentar-se-á um estudo qualitativo, relativo a instrumentos e metodologias de trabalho interdisciplinares, balizados, no domínio teórico-prático, por uma tese de mestrado e, no domínio prático, por docentes do Departamento das Ciências Físicas e Naturais que utilizaram esses mesmos instrumentos na leccionação das suas aulas.

Pretende-se, desta forma, demonstrar a viabilidade, o impacto e o sucesso que tais planificações podem ter em escolas "reais", com actores "reais" e que podem mesmo incluir aulas ministradas em co-docência pelos professores de Ciências Naturais e de Ciências Físico-Químicas. Apontam-se, assim, caminhos para que a interdisciplinaridade passe a ser encarada, pelos docentes, como uma real necessidade profissional, perfeitamente exequível e não como uma mera exigência curricular, cumprida apenas em termos formais e, consequentemente, arredada das salas de aula.

IV Colóquio Luso-Brasileiro sobre Questões Curriculares
Florianópolis, Brasil
setembro 2008

Tipo: Comunicação oral