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24 março 2011

Num esforço conjunto levado a cabo pelo VLT (ESO), Keck II e CFHT, foi detetada a estrela mais fria até à data. A uma distância de 23 parsecs, esta anã castanha faz parte de um binário, com as duas estrelas separadas por apenas 2,6 unidades astronómicas. A mais pequena, denominada CFBDSIR 1458+10B, tem uma temperatura á volta dos 370K, ou perto de 100º C.

Com estas temperaturas tão baixas, a Anã Castanha estará no limite entre estrela e planeta, podendo mesmo ter propriedades tão estranhas como a presença de vapor de água na sua atmosfera. Também fornece um novo limite mínimo para formação de estrelas.

O líder da equipa de astrónomos que fez esta descoberta, Michael Liu (IfA, U. Hawaii), disse que: “A estas temperaturas, é provável que as anãs castanhas tenham propriedades diferentes das conhecidas até agora, e que estejam muito mais próximas das propriedades dos exoplanetas gigantes”. O investigador do CAUP Pedro Figueira comentou ainda: "O espectro deste astro de tão pequena massa permite-nos aprender muito acerca de atmosferas planetárias e perceber as propriedades de uma atmosfera a temperaturas que muitos cientistas não ousariam testar nos seus modelos".

A investigação só foi possível através da colaboração de três grandes observatórios. O sistema de ótica adaptativa de estrela laser (LGSAO) do telescópio Keck II foi usado para determinar que se tratava de um binário. De seguida, recorrendo a observações do CFHT foi determinada a distância, e finalmente o espectrógrafo X-Shooter do VLT foi usado para determinar a temperatura.

A temperatura deste objecto também a torna numa promissora candidata à primeira deteção de um novo tipo de Anãs, as de classe espectral Y, que até agora só tinham sido teorizadas. No entanto, são necessários mais estudos para confirmar essa classificação.

Estas descobertas estão descritas num artigo científico, aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal.

Notas
Unidade Astronómica (u.a.) é a distância média entre a Terra e o Sol, e corresponde a cerca de 150 milhões de quilómetros. A distância entre os objetos deste binário, cerca de 2,6 u.a. é sensivelmente a mesma distância entre o Sol e a cintura de asteroides.

Mais informações
Comunicado de imprensa ESO original e em português
Comunicado de imprensa W.M. Keck
Artigo científico

1. Imagem composta do binário, observado em infravermelhos 2. Zona do céu onde se encontra o binário (ESO/DSS/Davide de Martin)