Mapa do Site
Contactos
Siga-nos no Facebook Siga-nos no Twitter Canal YouTube Siga-nos no Google+
14 junho 2012

Santa Cruz do Douro, no concelho de Baião, será o palco para a reunião de alguns dos maiores especialistas mundiais na área dos exoplanetas e de cosmologia, entre 19 e 21 de Junho. Esta reunião servirá para discutir o desenvolvimento do projeto ESPRESSO, um instrumento da próxima geração, que irá entrar na fase de design detalhado dos componentes.

Este espectrógrafo, a ser instalado no mais avançado observatório da atualidade – o VLT (ESO), será construído por um consórcio composto por Portugal, Espanha, Itália e Suíça. Em Portugal, onde serão criados alguns dos elementos tecnológicos chave do ESPRESSO, o projeto conta com a participação de investigadores do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP) e da Faculdade de Ciência da Universidade de Lisboa (FCUL).

O ESPRESSO tem como objetivos principais a procura de exoplanetas rochosos na zona de habitabilidade das suas estrelas, e a determinação da variação das constantes físicas do Universo, como a velocidade da luz.

Este instrumento deverá entrar em funcionamento em 2016. “Nessa altura poderemos esperar que o ESPRESSO permita descobrir, pela primeira vez, planetas semelhantes à Terra a orbitar outras estrelas como o Sol, um primeiro passo para a descoberta de vida no Universo”, afirma o astrónomo do CAUP Nuno Cardoso Santos, responsável pelo ESPRESSO em Portugal.

Em Portugal será construída a componente do instrumento que irá juntar a luz dos 4 telescópios de 8,2 metros do VLT. Isto permitirá, pela primeira vez, ter observações equivalentes às de um telescópio de 16 metros de diâmetro.

Alexandre Cabral (FCUL), um dos responsáveis pelo desenvolvimento da componente tecnológica do ESPRESSO comenta que: “Trata-se de um desafio tecnológico que está a permitir afirmar Portugal como um país que tem a capacidade para desenvolver instrumentos de grande precisão para observação astronómica”.

Mais Informações:
A Zona de Habitabilidade é a estreita região em torno da estrela, com as condições necessárias para que possa existir água líquida à superfície de um planeta.

Um espectrógrafo é um instrumento que permite decompor a radiação eletromagnética (em sentido lato, a “luz”) emitida por um objeto, formando um espectro de frequências. Esse espectro apresenta riscas, que funcionam como a “impressão digital” dos elementos que compõem o objeto observado. A mais conhecida manifestação deste fenómeno é a decomposição da luz branca do Sol nas suas cores constituintes, para formar um arco-íris.

O ESPRESSO (Echelle SPectrogaph for Rocky Exoplanet and Stable Spectroscopic Observations) será um espectrógrafo de alta resolução, a ser instalado no observatório VLT (ESO). Tem por objetivo procurar e detetar planetas parecidos com a Terra, capazes de suportar vida. Para tal, será capaz de detetar variações de velocidade de cerca de 0,3 km/h (ou a velocidade máxima de uma tartaruga das Galápagos a caminhar). Tem ainda por objetivo detetar a presença de variações nas constantes fundamentais do Universo.

Contactos:
Nuno Cardoso Santos

Núcleo de Divulgação do CAUP
Ricardo Cardoso Reis
Filipe Pires (coordenador)

1. Imagem artística do ESPRESSO 2. Imagem artística de uma super-terra (ESO/M. Kornmesser)