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5 dezembro 2006

A galáxia NGC 1313 foi observada com o instrumento FORS1, que se encontra instalado no VLT (ESO).

A NGC 1313, que se encontra a 15 milhões de anos luz da nossa galáxia, partilha algumas semelhanças com as galáxias vizinhas da Via Láctea, as Nuvens de Magalhães. No entanto, esta galáxia é uma espiral barrada, com braços que emanam em direcção ao exterior, e que curvam na região final da barra.

Os seus braços em espiral albergam um grande número de jovens enxames de estrelas quentes e inúmeras nuvens densas de gás e poeira. A luz das recém nascidas estrelas consegue iluminar o gás que as rodeia e envolve, produzindo um padrão intrincado de luz e sombras.

Galáxias como a NGC 1313, com uma grande taxa de formação estelar, também conhecidas como galáxias starburst, são objectos fascinantes. Nas nossas galáxias vizinhas, cerca de 1/4 de todas as estrelas de grande massa têm origem nestas regiões de intensa formação estelar nestes locais a formação estelar é 1.000 vezes maior do que na Via Láctea.

A maior parte dos casos de starburst, parece ser consequência da fusão de galáxias ou mesmo de uma simples aproximação entre galáxias. Estas interacções desencadeiam a colisão de nuvens de gás e poeira, o que por sua vez provoca uma desenfreada formação estelar.

A forma da NGC 1313 sugere que ela terá tido no passado encontros com outras galáxias: os seus braços espirais parecem alterados e existem agregados de gás espalhados um pouco por todo o lado. Isto é claramente visível na figura 2.

Observações feitas com o telescópio de 3.6 metros do ESO (La Sillla, Chile) revelaram que o centro da galáxia, ou seja, a região em torno do qual ela orbita, não coincide com o meio da galáxia, com a zona central da barra isto quer dizer que a rotação é feita de forma algo "torta".

O que intriga os astrónomos é verificarem que a NGC 1313 é, aparentemente, uma galáxia isolada. Não faz parte de nenhum grupo, não parece ter vizinhas, e não há sinais de ter "engolido" nenhuma pequena galáxia vizinha recentemente. O que terá então provocado a assimetria da galáxia e o aumento da formação estelar?

Não será credível uma explicação que apenas se baseie no facto da galáxia ter uma barra central, pois a maior parte da regiões de intensa formação localizam-se nas zonas densas de gás que se encontram espalhadas nos braços da NGC 1313. Uma análise cuidada das observações veio revelar ainda mais mistérios: entre as regiões de starburst existem dois objectos que emitem radiação altamente energética sob a forma de raios-X são fontes de raios-X ultra luminosas (ULX - ultra-luminous X-ray sources).

Os astrónomos suspeitam que os dois objectos sejam buracos negros, com massas da ordem das centenas massas solares. Como objectos com esta natureza podem surgir a partir de estrelas "normais" é algo que os actuais modelos estelares não conseguem explicar, por isso outras observações poderão seguir-se a estas, para assim se resolver os mistérios da NGC 1313.

Para mais informações
http://www.eso.org/outreach/press-rel/pr-2006/pr-43-06.html

1. A galáxia NGC 1313. (©FORS1/VLT) 2. Nesta imagem vemos uma maior porção do céu que envolve a NGC 1313. (©AAO/ROE/Digital Sky Survey)