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12 abril 2007

Os enxames de estrelas são, para os astrónomos autênticos laboratórios de astrofísica. Nos enxames encontram-se estrelas com idades e abundância química similar. De entre os diferentes tipos de enxames de estrelas, os enxames globulares são os fósseis da Via Láctea, pelo que do seu estudo surgem sempre informações relevantes acerca da história da nossa galáxia - com idades que rondam os 10 mil milhões de anos, as estrelas destes enxames são objectos mais velhos da Via Láctea, na realidade são quase tão velhas como o próprio Universo.

"Além disso as propriedades dos enxames globulares estão intrinsecamente relacionadas com as da galáxia onde habitam", afirma Dirk Froebrich (Universidade de Kent, Reino Unido). "Hoje acreditamos que a colisão de galáxias, o canibalismo galáctico, bem como a fusão de galáxias deixa marcas nos enxames presentes nas galáxias em interacção. Assim, o estudo dos enxames globulares acaba por ser uma chave para percebermos a formação e evolução das galáxias."

Na Via Láctea conhecem-se 150 enxames globulares, onde residem centenas de milhares de estrelas. Ao contrário dos enxames abertos, os globulares não se encontram concentrados no disco da galáxia, mas sim distribuídos, de uma forma esférica, pelo halo galáctico, existindo um aumento da sua concentração no sentido do centro da galáxia.

Até meados dos anos 90, a identificação dos enxames globulares era feita a olho nu, pela simples análise de chapas fotográficas. No entanto, este estudo deixou por identificar alguns enxames, em particular alguns que se encontram próximo do disco da galáxia, onde densas nuvens de gás e poeira tornam mais difícil a sua detecção. No início do desenvolvimento da Astronomia Extragaláctica esta região era conhecida como "Zona a Evitar", pois os sistemas estelares extragaláctidos pareciam ser raros nesta região do céu.

A procura de enxames globulares nesta região da Via Láctea implica observações na região do infravermelho do espectro electromagnético, pois só esta radiação consegue penetrar no denso "nevoeiro galáctico". Isto só é possível com a ajuda de modernos e sensíveis detectores de infravermelhos. Este censo de enxames globulares e a análise das suas órbitas acaba também por fornecer aos astrónomos um melhor entendimento acerca da distribuição de massa na galáxia. Os enxames de estrelas podem assim ser usados como sondas exploratórias para percebermos qual a estrutura em larga escala da Via Láctea.

A procura destes enxames globulares na direcção do plano da galáxia foi feita de forma sistemática e automatizada por um grupo de astrónomos, que teve como base de pesquisa o catálogo astronómico 2MASS. Depois de terminada a primeira fase do estudo, cerca de 12 objectos foram identificados como possíveis candidatos. Estes 12 objectos foram posteriormente observados com o instrumento SofI, que se encontra instalado no telescópio NTT do ESO (La Silla, Chile).

"As imagens únicas que obtivemos revelaram que o aspecto nebuloso de um dos candidatos era o resultado de uma grande concentração de estrelas ténues.", afirma Froebrich. "As imagens mostram um bonito, rico e circular aglomerado de estrelas." Uma análise mais detalhada dos resultados levou os astrónomos a concluir que o enxame se encontra a 30.000 anos-luz de distância da Terra e a apenas 10.000 anos-luz de distância do centro galáctico e próximo do plano da galáxia. "Os resultados parecem apontar para que o FSR 1735 - designação dada ao enxames seja um enxame globular jovem no interior da Via Láctea", afirma o também membro da equipa de investigação Aleks Scholz (Universidade de St. Andrews, Reino Unido). "No entanto, para termos a certeza, será necessário calcular com maior precisão a idade do enxame."

O enxame terá 7 anos-luz de diâmetro - cerca do dobro da distância que separa o Sol da sua estrela vizinha Proxima Centauri - contém cerca de 100.000 e terá uma massa próxima das 65.000 massas solares. As estrelas do enxame terão 5 a 8 vezes menos elementos pesados do que a nossa estrela. Mas será este o último enxame globular da Via Láctea? Ou será que outros existem nas regiões mais interiores na nossa galáxia?

Para mais informações
http://www.eso.org/outreach/press-rel/pr-2007/pr-12-07.html

O recém descoberto enxame de estrelas. (©ESO)