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17 abril 2008

A estrela amarela – alaranjada iota Horologgi encontra-se a 56 anos-luz de distância na direcção da constelação austral Horologium (O Relógio), e pertence à chamada “corrente de Hyades” que é um conjunto de estrelas que se movimentam na mesma direcção.

Em 1999, esta estrela foi observada com telescópios do ESO. Nessa altura descobriu-se que em torno nela existia um planeta, 2 vezes maior do que Júpiter, e com uma órbita de 320 dias. No entanto, as características intrínsecas da estrela continuavam desconhecidas… Agora, uma equipa de astrónomos, entre as quais se encontra Michael Bazot do CAUP, e que é liderada por Sylvie Vauclair (Laboratório de Astrofísica de Tolousse – Tarbes, França), usou o espectrógrafo HARPS, que se encontra instalado no telescópio de 3.6 metros do ESO (La Silla, Chile) para observar a estrela e desvendar os seus segredos com a ajuda de técnicas de astero-sismologia.

“Da mesma forma que os geólogos monitorizam as ondas sísmicas, geradas pelos tremores de terra que se propagam na Terra, para assim conhecer melhor a estrutura do nosso planeta, é possível estudar ondas sonoras que se propagam através das estrelas, e que acabam por dar origem a algo que se assemelha a um sino gigante e esférico”, afirma Vauclair.

O estudo do “som” emitido por este majestoso instrumento musical, fornece aos astrónomos uma grande quantidade de informação acerca das condições físicas do interior das estrelas. Neste caso a equipa identificou 25 “notas”, que correspondem, na sua maioria, a ondas com um período de 6,5 minutos. Com estes resultados os astrónomos conseguiram obter um retrato bastante fiel da estrela: a sua temperatura é de 6.150 K, a sua massa é 1,25 vezes superior à do Sol, a sua idade ronda os 625 milhões de anos e será 50% mais rica em elementos pesados (metais) do que o Sol.

Este conjunto de resultados atesta o poder da astero-sismologia para desvendar as propriedades de uma estrela e também a capacidade de um instrumento como o HARPS. “Os resultados mostram igualmente que a abundância de metais e a idade da estrela é muito semelhante aos valores encontrados para as estrelas que pertencem ao enxame de Hyades, o que com certeza não será uma coincidência”, afirma Vauclair.

O enxame de estrelas Hyades é visível a olho nu nos céus do hemisfério Norte, na direcção da constelação do Touro. É um enxame aberto, que se encontra a 151 anos-luz de distância e cuja idade rondará os 625 milhões de euros.

Parece então que a estrela iota Horologii ter-se-á formado com as estrelas do enxame de Hyades, tendo depois se afastado lentamente. Está agora a 130 anos-luz do local onde nasceu. Este resultado é muito importante para compreendermos melhor como se movimentam as estrelas através da Via Láctea.

Os resultados também mostram que a abundância de metais na estrela se deve à nuvem onde ela teve origem e não a material que ela possa ter acretado posteriormente. “A questão a galinha e o ovo que envolve a pergunta: será que uma estrela tem planetas porque é rica em metais, ou será que é rica em metais porque “engoliu” planetas que em torno dela se formaram, tem resposta, pelo menos neste caso em concreto.” , afirma a cientista líder da equipa de investigadores.

Para mais informações
http://www.eso.org/public/outreach/press-rel/pr-2008/pr-09-08.html

1. A estrela iota Horologii (©Digital Sky Survey/VirGO) 2. As constelações do Touro e do Relógio (©VirGO software/Stellarium)