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28 setembro 2009

O observatório astronómico ALMA acaba de receber a sua primeira residente: a primeira antena do ALMA chegou ao topo do planalto Chajnantor, nos Andes Chilenos, para ficar.

A antena, cujo peso ronda as 100 toneladas e tem um diâmetro de 12 metros, foi transportada até ao topo do planalto de 5.000 metros de altitude. Aqui, o ar é extremamente rarefeito: ideal para as observações do Universo que o ALMA fará. No entanto, para os humanos, o ambiente está longe de ser agradável! O nível de oxigénio é cerca de metade do existente ao nível do mar, o que torna o trabalho muito complicado. Por este motivo, a montagem e teste das antenas não é feito no topo do Chajnantor, mas sim a uma altitude inferior de 2.900 metros, no ALMA Operation Support Facility. Foi desta mais hospitaleira base que a antena partiu em viagem até ao topo do planalto.

“Este é um momento importante para o ALMA. Estamos muito contentes por tudo ter corrido tão bem com o transporte da antena. Este feito só se tornou possível através das contribuições de todos os parceiros internacionais ALMA. Esta antena em particular é japonesa, foi transportada por um veículo europeu, enquanto que os sistemas electrónicos no seu interior têm origem norte-americana, europeia e asiática.”, afirmou Wolfgang Wild, gestor europeu do projecto ALMA.

A viagem começou quando um dos dois veículos de transporte do ALMA, denominado Otto, levantou a antena e a colocou “às costas”. O Otto transportou então a antena ao longo dos 28 quilómetros que separam a base e o Local de Operações da Antena. Embora o veículo consiga atingir os 12 quilómetros por hora ao transportar a antena, esta primeira viagem foi efectuada a uma velocidade menor, para assim assegurar o sucesso da aventura. Assim, a viagem durou cerca de sete horas!

As antenas ALMA são as mais modernas e sofisticadas antenas de submilimétrico jamais construídas. Estão preparadas para suportar as agrestes condições do topo do planalto: vão resistir a fortes ventos e a uma amplitude térmica que vai dos -20ºC aos +20ºC, tudo isto enquanto trabalha com uma resolução tal que será capaz de distinguir uma bola de golfe a 15 quilómetros de distância.

Depois de atingir o topo, o Otto levou a antena a uma superfície de cimento, que funciona como uma doca com ligações eléctricas e de fibra óptica. E sobre esta doca foi colocada a antena, com uma precisão da ordem dos milímetros, que foi possível com a ajuda de um sistema guia laser semelhante ao dos detectores de colisão ultra-sónicos usados nos carros. Estes sensores garantem a segurança da antena à medida que o veículo de transporte as leva pelo planalto, que e breve se tornará muito concorrido. O ALMA terá, pelo menos, 66 antenas distribuídas por mais de 200 plataformas de cimento, que se encontrarão espalhadas no planalto e por vezes separadas por distâncias de 18,50 quilómetros. Todo este complexo de antenas funcionará como um único e gigante telescópio. Mesmo quando o ALMA estiver completamente operacional, os veículos de transporte serão usados para movimentar as antenas entre as plataformas e assim alterar a configuração do telescópio para que sejam possíveis diferentes tipos de observações.

“O transporte da nossa primeira antena até ao topo do Chajnantor foi um feito épico, que é exemplo do momento emocionante que o ALMA está a viver. Dia após dia, esta colaboração internacional aproxima-nos do momento das primeiras observações do mais ambicioso observatório astronómico terrestre do mundo.”, afirmou Thijs de Graauw, director do ALMA. A esta primeira antena em breve se juntarão outras: até ao início de 2010 os cientistas esperam ter 3 antenas no planalto, enquanto que as primeiras observações científicas terão lugar na segunda metade de 2011.

O ALMA vai ajudar os astrónomos a responder a importantes questões acerca das nossas origens cósmicas. O telescópio fará observações tendo por base comprimentos de onda milimétricos e submilimétricos, que no espectro electromagnético se situam entre a radiação infravermelha e as ondas rádio. A luz nestes comprimentos de onda tem origem nos mais frios mas também em alguns dos mais distantes objectos do Universo. Entre estes objectos incluem-se nuvens de gás e poeira onde nascem as estrelas e galáxias longínquas que se encontram mesmo nos limites do Universo observável. O Universo, no que concerne estes comprimentos de onda, encontra-se ainda por explorar, por isso as expectativas de novas descobertas com o ALMA são muito elevadas.

Para mais informações consulte:
Comunicado de imprensa - ESO 35/09
Sítio oficial do ALMA

1. A antena ALMA a caminho do topo do planalto Chajnantor. ©ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)
2. A paisagem do deserto do Atacama. ©ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)
3. A antena ALMA e veículo de transporte Otto. ©ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)
4. A chegada ao topo do planalto. ©ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)