Mapa do Site
Contactos
Siga-nos no Facebook Siga-nos no Twitter Canal YouTube Siga-nos no Google+
21 março 2006

Há muito que os astrónomos se intrigam acerca da importância da matéria escura na estrutura das galáxias. "A matéria escura, que compõem cerca de 25% do Universo, acaba por ser uma expressão que usamos para descrever algo que ainda não compreendemos", afirma Hector Flores, investigador do Observatório de Paris que, com outros investigadores, se dedica a resolver este problema

Uma das questões por eles levantada é perceber como as galáxias que se encontram muito longe - e que por isso vemos como eram quando o Universo era mais jovem - evoluem. E é claro que, em particular, querem perceber qual é o papel da matéria escura neste evolução.

Nas galáxias próximas, bem como na nossa Via Láctea, os astrónomos descobriram que existe uma relação entre a quantidade de matéria escura e a quantidade de matéria estelar presentes numa galáxia: por cada quilograma de matéria estelar, existem cerca de 30 quilogramas de matéria escura. Mas será que esta relação é a mesma se em causa estiverem galáxias distantes?

Para levar a cabo este tipo de cálculos é primeironecessário medir a velocidade de diferentes regiões de uma mesma galáxia longínqua. Várias tentativas foram feitas neste sentido, mas nenhuma foi até agora capaz de obter o detalhe necessário, pois só se conseguia observar as galáxias segundo uma única direcção. No entanto, agora os astrónomos têm à sua disposição o espectrógrafo de multi-objectos GIRAFFE, que se encontra instalado no telescópio de 8.2 metros Kueyen, pertencente ao Observatório VLT (ESO).

Num dos seus vários modos de funcionamento, conhecido como "espectroscopia 3D", o GIRAFFE é capaz de obter espectros simultâneos de pequenas áreas de objectos extensos, como é o caso de galáxias e de nebulosas. Este instrumento funciona através de um sistema de múltiplas fibras ópticas que encaminham a luz do plano focal do telescópio até à fenda do espectrógrafo, onde a luz é dividida nas suas diferentes partes. O GIRAFFE e o seu sistema de fibras fazem parte do espectrógrafo FLAMES que é resultado da colaboração entre o ESO, o Observatório de Paris-Meudon, o Observatório de Genevè-Lausanne e o Observatório Anglo-Australiano.

A equipa de investigadores de Hector Flores usou o GIRAFFE para medir as velocidades de algumas dezenas de galáxias distantes. Eles descobriram que cerca de 40% delas está "fora de ordem", ou seja, os seus movimentos internos parecem muito perturbados, o que poderá ser um sinal de que estas galáxias ainda estão a sofrer consequências de colisões ou interacções com outras galáxias.

Quando limitaram o estudo apenas às galáxias que aparentemente já teriam atingido o seu equilíbrio, os investigadores descobriram que a relação entre matéria escura e estelar não parecia ter evoluído durante os últimos 6 mil milhões de anos.

Graças à sua grande capacidade de resolução o GIRAFFE também permitiu à equipa estudar, pela primeira vez, a distribuição do gás em função da sua densidade, nestas galáxias distantes. "Esta técnica pode ser melhorada de forma a no futuro obtermos mapas que mostrem as diferentes características físicas e químicas de galáxias longínquas. O que permitirá estudar com detalhe como é que as galáxias acumulam e produzem matéria ao longo da sua vida.", afirmou François Hammer, investigador da equipa.

Para mais informações
http://www.eso.org/outreach/press-rel/pr-2006/pr-10-06.html

1. Ilustração: A colisão entre galáxias. (©ESO)
2. Três exemplos de resultados obtidos pelo GIRAFFE. (©ESO)
3. Relação entre matéria escura e matéria “estelar” (ESO)