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12 março 2009

No passado dia 6 de Março foi lançado para o espaço o telescópio espacial Kepler, uma missão da NASA cujos objectivos científicos são a busca de planetas extra-solares com dimensão idêntica à Terra e o estudo sísmico das estrelas. Neste projecto estão envolvidos mais de 200 investigadores de cerca de 50 institutos ou centros de investigação.

Para a equipa de Asterosismologia do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, trata-se de um momento muito excitante. Fazendo parte do KASC – Kepler Asteroseismic Science Consortium – estes investigadores trabalham na selecção das estrelas que serão observadas dentro em breve. Os dados recolhidos serão usados para extrair informações detalhadas sobre estas estrelas, tais como: massa, raio, idade, composição química. O Doutor Mário João Monteiro e Doutora Margarida Cunha coordenam respectivamente um dos grupos que irá estudar as estrelas do tipo solar e o grupo que irá estudar um tipo particular de estrelas um pouco maiores que o Sol (estrelas roAp).

O Kepler é um telescópio espacial equipado com um espelho de 95 cm e um único detector composto por 42 CCDs, muito sensíveis, com 2 Megapixeis cada. Durante a sua missão irá monitorizar o brilho de mais de 100 mil estrelas, numa região da constelação do cisne. Como outros telescópios com os mesmos objectivos científicos, não será capaz de fazer imagens, porque está desfocado, de modo a espalhar a radiação de cada uma das estrelas e medir com mais precisão seu brilho. O Kepler foi colocado numa órbita em torno do Sol, com período de 372, 5 dias. Isto significa que durante a sua missão estará constantemente a afastar-se do nosso planeta, daqui a 4 anos o Kepler encontra-se a cerca 75 milhões de quilómetros da Terra (metade da distância entre a Terra e o Sol).

Com o Kepler os astrónomos esperam encontrar em algumas estrelas próximas, semelhantes ao Sol, planetas de dimensão idêntica à Terra e com períodos da ordem de 1 ano. Estes planetas encontram-se em regiões onde será possível existir água líquida na sua superfície. Os planetas serão detectados usando o método dos trânsitos. Sempre que um planeta passa em frente da estrela, provoca uma diminuição ínfima no brilho observado da estrela, que depende do diâmetro relativo da estrela e do planeta. No caso da Terra e Sol.

O outro objectivo científico do Kepler é o estudo da actividade sísmica das estrelas. As técnicas de análise usadas na Asterosismologia são as únicas que permitem os astrónomos obterem informações sobre o interior das estrelas e determinar com precisão: massa, raio, rotação, composição química e a sua idade. Tal como um instrumento musical, cada estrela tem um espectro de modos próprios de vibração, que varia entre poucos minutes até alguns meses e que se traduzem em variações periódicas no seu brilho observado. A cada instante a estrela está a oscilar simultaneamente em vários modos, com diferentes frequências. Os investigadores da missão Kepler serão capazes de identificar os vários modos de oscilação, usando ferramentas de análise matemática aplicadas às variações observadas no brilho da estrela.

1. Esquema do telescópio Kepler (NASA)
2. Espectro de oscilação do Sol e da estrela Alfa do Centauro (KASC)