Mapa do Site
Contactos
Siga-nos no Facebook Siga-nos no Twitter Canal YouTube Siga-nos no Google+
13 maio 2009

A Agência Espacial Europeia (ESA) vai lançar a 14 de Maio, pelas 14h12 (hora portuguesa) a missão espacial Planck Surveyor, a partir do Centro Espacial de Korou na Guiana Francesa. O investigador do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP), Doutor António da Silva, irá participar nas cerimónias de lançamento, a convite da ESA e por indicação da Delegação Portuguesa nesta instituição.

De que é feito o Universo? Como explicar a existência de energia escura? Que mecanismos deram origem às galáxias e restante estrutura do Universo observável? São estas algumas das perguntas às quais o Planck vai procurar responder.

O satélite vai medir, com uma precisão sem precedentes, o Fundo de Radiação Cósmica de Microondas (CMB - Cosmic Microwave Background), a radiação mais antiga do Universo. O CMB é uma relíquia do Big Bang, que preenche todo o espaço e que banha a Terra proveniente de todas as direcções. A observação desta luz primordial permite-nos compreender como era o Universo nos seus primórdios.

O CMB é composto pelo sinal primordial (primeira luz do Universo), sinais ditos secundários (emissões provenientes de estruturas extra-galácticas) e sinais terciários (radiações parasitas com origem no interior da nossa galáxia). Parte do trabalho desenvolvido pelo Doutor António da Silva, membro do grupo de trabalho de “Enxames de galáxias e anisotropias secundárias” do Planck, consiste em caracterizar e modelar esses sinais secundários com o objectivo de os separar do sinal CMB primordial. Este procedimento permite maximizar a extracção de informação acerca do Universo primordial, dos enxames de galáxias e estruturas filamentares que se formaram numa fase mais recente do Universo.

O satélite será lançado a partir do Ariane 5, juntamente com o telescópio espacial Herschel. O Planck vai alojar-se no segundo ponto de Lagrange (L2), a uma distância cerca de cinco vezes a distância da Terra à Lua, (1.5 milhões de quilómetro da Terra). Aí, a sonda vai usufruir da estabilidade necessária para observar o CMB com o mínimo de contaminação parasita de emissões terrestres e solares.

A bordo terá dois instrumentos, HFI e LFI (High Frequency Instrument e Low Frequency Instrument, respectivamente) sensíveis a uma região espectral entre as ondas rádio e a luz infravermelha longínqua. O instrumento HFI será o dispositivo mais frio alguma vez lançado para o espaço, sendo refrigerado a temperaturas muito próximas do zero absoluto. Graças aos seus radiómetros e bolómetros polarizados, hipersensíveis, o satélite vai ser capaz de observar num ano o que o seu antecessor (WMAP) teria analisado em 450 anos.

A Missão resulta de uma colaboração da ESA com institutos de sete países europeus: França, Alemanha, Dinamarca, Espanha, Itália, Irlanda e Reino-Unido e, ainda, do Canadá e dos Estados-Unidos. Cerca de trinta laboratórios e quatrocentos investigadores estão ligados ao Planck.


Informações adicionais:
[1] Doutor António da Silva (CAUP)
[2] Informações sobre o Planck

1. Satélite Planck (ESA)
2. Integração de uma parte dos painéis solares, no módulo de serviço da nave espacial (ESA)
3. Imagem com o posicionamento final do satélite (ESA)